O Portal GPN analisa mais uma proposta que, embora brilhe na teoria e no papel timbrado, esbarra na muralha da realidade geográfica e social de Marília. O requerimento que propõe um Centro de Medicina Integrativa no Bosque Municipal é a prova de que a gestão atual e a classe política continuam a enxergar a cidade através de uma luneta viciada, focada apenas na zona leste, enquanto a periferia observa de longe, “alijada do camarão e do caviar do andar de cima”.
Por Redação Portal GPN
A proposta de instalar um centro de práticas integrativas no Bosque Municipal é, à primeira vista, positiva. Quem seria contra ioga, acupuntura e meditação em meio à natureza? O problema não é a intenção, mas a localização. Ao escolher o Bosque, a classe política de Marília reforça, mais uma vez, o privilégio da zona leste, transformando uma política de saúde pública num clube exclusivo para quem tem carro na garagem ou tempo de sobra para cruzar a cidade num transporte público ineficiente.
O Abismo entre o Bosque e a Periferia
Para o morador do Vila Real, do Nova Marília ou das periferias da zona norte, o Bosque Municipal é quase outro município. Onde está o plano de mobilidade para esse “povo sofrido”? Haverá transporte gratuito para levar o paciente que precisa de terapia integrativa até o Bosque? Se a resposta for “não”, o projeto já nasce como uma medida segregacionista.
Saúde integrativa não deveria ser um luxo de fim de semana no parque; deveria estar onde o povo está. Por que não criar polos descentralizados? Por que as práticas não podem ser integradas nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) dos bairros mais distantes? A resposta parece óbvia: é mais fácil fazer política de vitrine no Bosque, onde a iluminação é melhor para as fotos do Instagram, do que enfrentar o barro e a carência das comunidades periféricas.
Não basta dar o “peixe”, é preciso dar o “meio”
Dar condições — ou seja, criar o centro — é apenas metade do dever. Dar os meios é garantir que o cidadão que mora no extremo da cidade tenha o mesmo direito de acesso que o morador dos condomínios da zona leste. Sem transporte gratuito e sem polos próximos à comunidade, esse projeto é apenas mais uma “canetada de joelho” que beneficia o andar de cima e mantém o andar de baixo excluído dos benefícios da medicina moderna.
OPINIÃO GPN: MARÍLIA PRECISA DE SAÚDE NO BAIRRO, NÃO DE VITRINE NO BOSQUE
O Portal GPN aplaude a iniciativa de modernizar o atendimento, mas lamenta a falta de sensibilidade social. Medicina integrativa é bem-estar, e bem-estar não pode ter CEP privilegiado. Se a gestão quer realmente cuidar do mariliense, precisa parar de priorizar os mesmos eixos geográficos de sempre.
Enquanto o Gabinete do Prefeito gasta milhões em publicidade para vender uma “Marília Maravilhosa”, a realidade de quem depende de ônibus para buscar atendimento médico continua sendo de humilhação. Se o Centro de Medicina Integrativa for para o Bosque sem um esquema de transporte real para a periferia, será apenas mais uma ilha de privilégio num mar de abandono.
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